Gato bebendo pouca água: como incentivar hidratação (com passos práticos e sinais de alerta)

Seu gato quase não bebe água? Veja quando isso pode ser normal, quanto um gato costuma precisar por dia e um plano prático (tigelas, fonte, comida úmida e truques seguros) para aumentar a hidratação — além de sinais de alerta.

Resumindo

  • Não é necessariamente um problema quando o gato “bebe pouco”: gatos que consomem ração úmida podem beber menos no recipiente.
  • Regra prática: muitos gatos devem beber cerca de 50 mL de água por kg/dia (somando água do pote mais da comida).
  • As intervenções que realmente fazem diferença são: aumentar os pontos de água, usar tigelas amplas e rasas, água sempre fresca e aumentar a umidade da dieta (misturando sachê/latinha ou acrescentando água na ração).
  • As fontes de água podem ajudar alguns gatos, mas a escolha do tipo de fonte é pessoal, requerendo teste em condições controladas durante 7 dias.
  • Vá ao veterinário de imediato se houver dificuldade para urinar, sintomas de apatia intensa, vômitos frequentes, gengivas secas/pegajosas ou ausência de urina.
Texto informativo, não substitui orientação profissional.
Se seu gato repentinamente diminuiu o consumo de água, ou se você notar sinais de desidratação/doença urinária, a melhor opção é sempre procurar um(a) veterinário(a) o quanto antes.

Por que os gatos bebem tão pouca água (e quando isso é normal)

Vários gatos aparentam beber “pouca água”, porque a maior parte da água que eles ingerem pode vir dos alimentos. Os alimentos úmidos podem ter grande porcentagem de água, e ao serem alimentados com eles, é comum que os gatos visitem menos o pote. Já com dietas secas, parece haver maior dependência da água bebida.

Além deste aspecto, os gatos tendem a ser exigentes com o cheiro ou o sabor da água, do tipo de recipiente, do lugar onde está o pote e até mesmo da “sensação” dos bigodes tocando na borda. Detalhes pequenos (pote de plástico, água “parada” há dias, pote ao lado da caixa de areia) podem derrubar o consumo sem que isso fique evidente.

Quanta água um gato “precisa” por dia: uma estimativa simples (com ressalvas)

Uma estimativa comum é, em média, cerca de 50 ml de água por kg de peso corporal por dia (considerando água total: do pote + do alimento). Então, por exemplo, um gato pesando entre 4 e 5 kg teria aproximadamente entre 200-250 ml/dia de necessidade total.

Uma outra maneira de visualizar: uma diretriz similar seria de cerca de 4 onças (aprox. 118 ml) por 5 libras (aprox. 2.27 kg) de peso ósseo por dia, isto é, cerca de 52 ml/kg/dia.

Atenção: Tais números são uma estimativa. A “necessidade” e o quanto o gato realmente ingere varia conforme dieta (seca vs. úmida), temperatura, atividade, idade e doenças (ex.: do renal, diabetes). Utilize o número como base para explorar e monitorar tendência – não como um alvo final.

Como medir em casa (sem adivinhação)

  1. Escolha 1 a 2 dias “normais” (sem visitas, mudanças na dieta, calor demasíado superior etc.).
  2. Meça o que você coloca: use um copo medidor (mL) ou uma garrafa medidora.
  3. Após 24h, veja o que sobrou na tigela e estime o consumo (o que colocava menos o que sobrou).
  4. Se você tiver mais de um gato, separe os pontos de água durante alguns dias para melhor medição (ou use as salas diferentes).
  5. Anote junto: tipo de alimentação (seca/úmida), quantidade do sachê/latinha e sinal algum (urina, vômito, apetite).

Como notar desidratação: sinais em casa (e o que não confiar só)

Os sinais comuns incluem apatia/queda de energia, fraqueza, pouco apetite, mucosas (gengivas) secas, olhos mais fundos em casos graves.

  1. Teste na gengiva: levante o lábio e toque na gengiva. O esperado é úmida; se seca/pegajosa, é sinal de alerta.
  2. Teste da “preensão” da pele (com cuidado): puxe suavemente a pele entre as escápulas e solte – nos gatos jovens e saudáveis, sua pele deverá retornar rapidamente; se demorar, pode indicar desidratação – mas este teste não é confiável em gatos idosos ou com doenças crônicas.
  3. Observe a urina: menos urina, urina muito escura/concentrada, ou muitas vezes pouco volume podem indicar problema.
  4. Sinais indiretos: fezes secas/constipação, vômito/diarreia, não comer.
Emergência urinária (principalmente em gatos machos):
esforço para urinar, vocalização, muitas vezes na caixa, pouco ou nenhum xixi, abdômen doloroso ou apatia intensa podem indicar obstrução urinária, e não espere “ver se melhora” – procure emergência veterinária.

Saquetas para hidratação: 12 estratégias seguras para incentivar a hidratação (do básico o avançado)

1) Aumente as “estações de água”

Em vez de 1 pote grande, coloque de 2 a 4 potes menores pela casa. Isso diminui a “preguiça de mobilidade” e também aumenta as chances de você descobrir as preferências de locais preferidos (perto da janela, corredor calmo, etc.).

2) Posicione-as: longe de comida e da caixa de areia

Uma regra geral que funciona é afastar água de comida e, preferencialmente, da caixa de areia (por preferência e por sujeira do gato). Procure escolher lugares mais tranquilos, com boa noção do espaço (o gato se sente “menos exposto” ao beber).

3) Troque o recipiente: largo, raso e de material neutro

  • Formato: tigelas largas e rasas ajudam a minimizar incômodo gerado pelos pelo bigodes na borda.
  • Material: teste vidro, cerâmica ou inox, em geral são os que menos seguram cheiro de alguns plásticos.
  • Quantidade de água: alguns gatos preferem potes bem cheios (novamente, por causa dos bigodes/borda).

4) Água sempre fresca + higienização diária (benefício significativo, custo zero)

Troque a água com frequência e lave/enxágue o recipiente diariamente para diminuir o biofilme/odor. Vários gatos não aceitam água “velha”, mesmo que aos nossos olhos pareça limpa.

5) Verifique temperatura (gelada versus ambiente) — deixe o gato escolher

Alguns gatos preferem água fria, enquanto outros preferem temperatura ambiente. Uma forma objetiva de verificar isso é oferecendo dois recipientes iguais, um ao lado do outro, variando somente a temperatura por 48 horas e anotando o consumo aproximado.

6) Melhor qualidade “sabor/odor” da água (ex.: filtrada) caso o gato seja sensível

Se sua água possui odor forte de cloro, pode valer a pena testar água filtrada por 2 – 3 dias (mantendo a rotina de limpeza). O objetivo não é “mimar”, é eliminar um possível fator de recusa.

7) Utilize fonte de água (porém teste como experimento, e não como certeza)

As fontes podem incentivar alguns gatos (principalmente aqueles que já tentam beber em torneiras) e são mencionadas como uma maneira de incentivar a ingestão de água em situações de doença do trato urinário. Todavia, a preferência pode variar muito de gato para gato — então vale à pena fazer um teste com método (medida antes/depois).

  • Peça uma fonte que seja fácil de desmontar e limpar (geralmente, isso é mais importante do que “mil funções”).
  • Higienize conforme as instruções do fabricante e troque o filtro no intervalo sugerido (biofilme e sujeira derrubam a aceitação).
  • Coloque em um lugar silencioso e seguro (sem vibrações/barulho que possam assustar).

8) “Água aromatizada”: faça da forma segura (e temporária)

Caso o seu gato evite a água pura, você pode tentar misturá-la de maneira leve com uma pequena quantidade de caldo de frango com pouco sódio e sem temperos (sem cebola e sem alho) – e trocar essa água diariamente para evitar que azede ou que seja contaminada.

Caso seu gato tenha doença renal, doença cardíaca, hipertensão ou esteja em dieta terapêutica, não invente caldos e saborizações sem falar antes com o(a) veterinário(a). Mesmo pequenas mudanças podem ser inadequadas dependendo do caso.

9) A estratégia mais eficaz: aumentar a umidade da dieta

Se o seu foco é hidratação, muitas vezes, “colocar água para dentro” através da comida é bem mais fácil. Dietas úmidas (ou uma parte da rotina com sachê/latinha) podem ajudar a cobrir a maior parte das necessidades diárias por conta do alto teor de água que elas possuem.

Em um estudo realizado com gatos sadios, um aumento na umidade da dieta levou ao aumento da ingestão total de fluidos e à produção de urina mais diluída (menor densidade urinária), Sugerindo que a umidade da dieta está relacionada à saúde do trato urinário.

10) Adicione água na comida (de um jeito que não interfira na rotina)

  1. Comece pequeno: 1 a 2 colheres de chá de água misturada na porção (particularmente no alimento úmido).
  2. Observe a aceitação e as fezes por 48 horas.
  3. Se tudo estiver ok, aumente gradual e lentamente até virar uma substância de “ensopado” que o gato consuma.
  4. Não mantenha comida úmida com água “estancada” no pote por muito tempo (risco de estragar). Melhores receitas são porções menores e mais frequentes.

11) Guloseimas úmidas e brincadeiras com água (para gatos curiosos)

  • Os petiscos pastosos/úmidos podem agregar líquido à rotina (sem que sejam a base da dieta).
  • Há gatos que lambem gelo: você pode adicionar pequenos cubos de água (ou gelo com leve perfume da ração úmida) com o objetivo de enriquecer – sempre sob supervisão (evitando engasgo e sujeira).

12) Ajuste ambiente e estresse: a hidratação, é comportamento

Mudanças na casa, conflitos entre gatos, falta de lugares seguros e ruído podem afetar o consumo de água. Em casas com vários gatos, uma boa prática é ter vários pontos de água e evitar “gargalos” (um único pote para todos).

Um plano prático de 7 dias para conseguir que o gato beba mais (sem querer fazer tudo ao mesmo tempo)

  1. Dia 1: meça o consumo de água em 24h e escreva dieta (seca/úmida) e comportamento.
  2. Dia 2: lave bem o pote e troque a água 2× ao longo do dia. Meça de novo.
  3. Dia 3: troque o pote (inox/cerâmica) e utilize modelo largo e raso. Meça.
  4. Dia 4: coloque de 2 a 4 estações de água em diferentes locais (evite a área da caixa de areia, se possível). Registre.
  5. Dia 5: faça o teste da temperatura (um potinho com água fresca ou gelada e outro temperatura ambiente). Registre qual acaba primeiro.
  6. Dia 6: acrescente 1 refeição úmida (ou aumente a quantidade de alimento úmido) OU adicione um pouco de água ao alimento (no início, acrescente um pouco apenas). Registre e observe as fezes.
  7. Dia 7: caso ainda esteja baixo, teste que fonte (deixando uma estação com potinho) e compare com a linha base.
Dica de método: altere uma variável por vez (potinho OU local OU dieta), desse jeito você descobre o que realmente funcionou para seu gato — e não vai “chutar no escuro”.

Tabela rápida: qual estratégia parece ajudar mais?

Comparar em prática (benefício x custo x cuidados).
Estratégia Quando funciona melhor Esforço/custo Cuidados
Mais fontes de água Gatos “gulosos”, casas grandes, múltiplos gatos Baixo Manter tudo limpo e afastado do sanitário
Tigela larga/rasa (cerâmica/inox/vidro) Gatos sensíveis a cheiro/material e “bigodes na borda” Baixo a médio Evitar plástico arranhado; lavar todos os dias
Água mais fresca + trocas frequentes Gatos exigentes a água “velha” Baixo Rotina: não adianta fazer 1 vez
Comidas úmidas / aumentar a umidade da dieta Gatos que bebem realmente pouco do pote Médio Mudança gradual; ajustar para não engordar
Adicionar água na comida Gatos que aceitam “ensopado” Baixo Não deixar a comida estragar no pote
Fonte água Gatos que gostam de água corrente Médio Limpeza e troca de filtro; barulho pode incomodar alguns

Erros frequentes que fazem o gato beber menos (mesmo com “água à disposição”)

  • Deixar o mesmo pote sem lavar: biofilme e odor desestimulam aceitação.
  • Pote ao lado da caixa de areia ou em lugar barulhento e movimentado.
  • Utilizar tigela funda/estreita que toca com os bigodes (muitos gatos evitam).
  • Achar que “a fonte resolve para todo gato” e desistir das outras medidas.
  • Mudar de repente para ração úmida (pode vincular a rejeição ou desconforto gastrointestinal): realizar transição gradual.
  • Forçar água com seringa sem orientação veterinária (risco de estresse e aspiração).
  • Utilizar caldos temperados (alho/cebola) ou soluções “caseiras” sem segurança alimentar.

Quando buscar atendimento veterinário (e informações úteis para levar)

Deve-se buscar avaliação veterinária quando o gato reduzir o consumo de água de forma abrupta, caso haja sinais de desidratação (gengivas secas/pegajosas, apatia, olhos fundos) ou se o gato se mostrar doente.

  • Urgência/emergência: esforço para urinar, urina muito escassa ou ausente, vômitos repetidos, prostração intensa, colapso.
  • Leve para a consulta: peso do gato, tipo de dieta (seca/úmida e marca/linha, se souber), estimativa do total de água por 24h (mesmo que aproximada), frequência do xixi e quaisquer outras mudanças recentes (mudança de casa, novo pet, mudança na ração).
  • Se o veterinário suspeitar de desidratação significativa, o tratamento pode demandar fluidoterapia e avaliação clínica — a suspeita de desidratação baseada em sinais físicos tem variação quanto ao valor.

Perguntas Frequentes

Meu gato come sachê/latinha e quase não bebe no pote. Isso é ruim?
Nem sempre. Os alimentos úmidos podem oferecer boa parte da quantidade total diária de água, consequentemente, é normal o gato beber menos no pote. O que realmente se considera é a totalidade da hidratação (comportamento, urina e sinais clínicos).
Qual seria a melhor forma de aumentar a hidratação: fonte ou comida úmida?
Na prática, aumentar a umidade da dieta é um das maneiras mais confiáveis de elevar a hidratação total. A fonte pode ajudar, mas depende da preferência do gato e precisa de manutenção e limpeza.
Como posso saber se a fonte realmente ajudou?
Mensure a ingestão durante 24 h por alguns dias, antes e depois (modificando 1 variável de cada vez). Se o aumento no consumo total for consistente, ele ajudou. Caso contrário, seu gato pode dar preferência ao pote e tudo bem.
Eu posso usar caldo de frango para estimular a ingestão de água?
Esta pode ser uma solução temporária, mas deve ser sem temperos (simples – sem cebola/alho) e com somente baixo teor de sódio. Troque diariamente e higienize o pote. Para gatos com doença renal/cardiaca/hipertensão, verifique antes com o(a) veterinário(a).
O teste da pele (prega) pode ser confiável?
Pode auxiliar como um sinal em gatos jovens e sadios, mas se torna menos confiável em gatos mais velhos e com algumas doenças. Use palco da pele junto com outros sinais clínicos (gengivas, apatia e urina) e, em caso de dúvida, busque ajuda.

REFERÊNCIAS

  1. Cornell Feline Health Center – Hydration
  2. VCA Animal Hospitals – Tips to encourage cats to drink more water
  3. PetMD – Cat dehydration symptoms and how to help
  4. AAHA – Wet cat food: more than a meal
  5. Royal Canin Academy – Water requirements and drinking habits of cats
  6. Buckley et al., 2011 (Cambridge Core) – Dietary water intake and urinary parameters in cats
  7. PubMed – iCatCare consensus guidelines 2025 (LUTD; incentivar ingestão de água)
  8. AAHA – 2024 Fluid Therapy Guidelines (avaliação clínica de desidratação)
  9. Merck Veterinary Manual – Physical findings and estimating dehydration

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