Arranhar não é um “mau comportamento”: é uma necessidade natural do gato. Ele arranha para se espreguiçar, exercitar o corpo, cuidar das unhas e também para marcar o território (com sinais visuais e odores deixados nas patas). Ao selecionar o tipo adequado de arranhador e à disposição adequada, a chance do seu gato “preferir” o sofá é drasticamente reduzida.

TL;DR

  • Tenha pelo menos 2 opções: um arranhador vertical (poste) e um horizontal (placa/tapete) – muitos gatos têm preferências específicas.
  • Priorize estabilidade e altura: poste firme e alto o suficiente para o gato se esticar por inteiro, sem tombar.
  • A textura é importante: sisal e papelão ondulado costumam gozar de boa aceitação; oferecer variedade ajuda a evitar que o gato faça de móveis seus.
  • O posicionamento é metade do trabalho: coloque próximo ao local que ele arranha e também próximo a onde repousa (muitos gatos arranham ao acordar).
  • Treine com reforço positivo: atraia com brincadeira/catnip e recompense; não puna diretamente, pois pode agravar estresse e não resolve a situação no momento em que não estiver observando.

1) Melhores tipos de arranhadores (e para quem servem)

Não há um “melhor arranhador do mundo”. O melhor é o arranhador que o seu gato usa sempre. A melhor estratégia para evitar erros de compra é combinar formatos e observar as preferências.

Arranhador vertical (poste)

  • Ideal para: gatos que arranham as laterais do sofá, as quinas dos móveis, batentes e paredes.
  • Vantagens: permite à extensão completa, normalmente, é o “principal” da casa quando escolhido corretamente.
  • O que observar: base pesada/estável + altura suficiente para o gato esticar o corpo todo + superfície que “agarre” (exemplo: sisal).
  • Quando dá errado: poste baixo, que bamboleia ou com base leve (se tombar uma vez, alguns gatos optam por não usar depois).

Arranhadores horizontais (placa, tapete ou “rampinha” baixa)

  • Ideal para: gatos que arranham tapetes, carpetes, capachos e caixas.
  • Vantagens: ocupa pouco espaço; geralmente é barato (especialmente no caso do papelão ondulado).
  • O que olhar: área ampla para as duas patas dianteiras + antiderrapante (não pode ”fugir” durante o arranhamento).
  • Quando não funciona: peça pequena que escorrega; o gato tenta “se firmar” no chão e , então, muda para o tapete da sala.

Arranhador inclinado (tipo rampa/triângulo)

Esse é o “path” que dá certo para muitos lares onde: arranha em ângulo, boa aderência e não requer a altura de um arranhador. Encaixa bem se o seu gato intercala entre arranhar chão e lateral do sofá.

Arranhador de papelão ondulado (com refil)

  • Ideal para: gatos que arranham e gostam de “desfiar”; muitos aceitam imediato.
  • Vantagens: alta aceitação, barato, leve, fácil de distribuir pela casa.
  • Pontos a considerar: faz bagunça (farelo de papelão); requer reposição; alguns modelos, especialmente os super leves, escorregam.
  • Outra dica prática: vale ter 1–2 unidades extras para o rodízio e para fazer a troca e o interesse não esfriar.

Arranhador de torre/árvore (com plataformas)

Uma boa opção quando se deseja “resolver muitas necessidades com um só item”: arranhar, subir, descansar e observar o que acontece. Em casas com mais de um gato, torres com mais de uma plataforma e rotas de subida/descida ajudam a diminuir a disputa (se o arranhador for firme e alto o suficiente).

Arranhador de parede (fixo) — para espaços pequenos

Modelos fixados na parede (placas verticais ou módulos) podem ser uma ótima alternativa para apartamento: pois não ocupam área de piso e não tombam. Só exigem que a instalação tenha sido bem feita e a altura correta para alongamento.

Tronco/toco de madeira (natural ou adaptado)

Alguns gatos preferem superfícies “orgânicas” e rústicas. Um tronco robusto pode servir muito bem como um arranhador vertical, essencialmente se for suficientemente longo para esticar-se e tiver uma base sólida. Esse é um dos estilos mais comuns entre os arranhadores feitos de maneira caseira, além de ser um verdadeiro coringa quando o gato ignora os modelos compráveis em pet shops.

Comparativo rápido: qual tipo escolher primeiro?
Tipo Melhor para Prós Contras Compra “segura” quando…
Vertical (poste) Quem arranha lateral de sofá/quinas Alongamento completo; costuma “fixar hábito” Se for instável, o gato evita Seu gato se estica na mobília ao arranhar
Horizontal (placa/tapete) Quem arranha tapete/capacho Barato; fácil de posicionar Pode escorregar; alguns desinteressam rápido Ele arranha no chão com patas bem abertas
Inclinado (rampa) Indecisos entre vertical e horizontal Boa tração; ocupa pouco Nem todos gostam do ângulo Ele arranha sofá e tapete (os dois)
Papelão ondulado Quem gosta de “desfiar” Alta aceitação; ótimo custo Faz sujeira; precisa trocar Você quer testar rápido preferência com baixo investimento
Torre/árvore Enriquecimento + arranhar Multifuncional; bom para multi-gatos Ocupa espaço; varia muito de qualidade Você também precisa de “ponto alto” de descanso/observação

2) Texturas e materiais: O que costuma dar certo (e o que pode dar errado)

Gatos escolhem arranhadores pela sensação (textura + resistência) e pelo contexto (local onde está). No geral, sisal e papelão ondulado têm boa aceitação. Oferecer mais de uma textura também contribuir para manter o interesse e reduzir a chance de o gato procurar “alternativas” como sofá e cadeira.

  • Sisal (corda ou manta): ótimo “grip” para unha; muito comum em postes e torres (de resto, seria a única opção para torres de abrigos de animais).
  • Papelão ondulado: prazer em rasgar/desfiar; ótimo para horizontal, e inclinado.
  • Carpete: pode funcionar para alguns, mas pode prender a unha em laços do tecido e fazer o gato evitar o arranhador depois (principalmente se ele tomar um susto ou se sentir desconforto).
  • Madeira/“toco”: alternativa interessante para gatos indiferentes aos materiais sintéticos; deve ser bem estável.
Segurança em primeiro lugar: evite arranhadores que balancem, deslizem ou tombem facilmente. Um único tombar pode criar uma associação negativa muito forte, o que pode dificultar os treinos por semanas.

3) Como escolher o arranhador ideal (checklist prático)

Use este checklist antes de comprar. Ele foi projetado para evitar os 3 erros mais comuns: (1) comprado pequeno demais, (2) comprado instável, (3) esconder o arranhador em um canto e depois culpar o gato.

  1. Faça um mapeamento do padrão do seu gato por 3 dias: ele arranha mais no chão (horizontal) ou para cima (vertical)? Em quais cômodos? Em quais superfícies?
  2. Escolha pelo menos 2 formatos para começar: 1 vertical (poste alto) + 1 horizontal (placa/tapete ou papelão).
  3. Confirme a altura do vertical: o poste precisa permitir que ele se estique totalmente. Uma regra prática é: a altura do arranhador deve ser no mínimo a altura do gato em “extensão total” (patas dianteiras para cima) e um pouquinho mais.
  4. Aprenda a testar a estabilidade como se fosse o gato: empurre com a mão lateralmente. Se mexer muito, vai fracassar.
  5. Avalie a tração do piso (se for arranhador horizontal, não pode “passear” no piso). Prefira base emborrachada, carpete antiderrapante ou coloque em um tapete antiderrapante.
  6. Lembre-se da casa (e não só do produto): no apartamento, modelos de parede ou torres muito compactas podem ser mais viáveis para otimizar espaço.
  7. Se há mais de um gato: aumentar a quantidade e as rotas. Ao invés de um arranhador de grande porte, muitas vezes 2-3 pontos de arranhar configurados podem ser melhores.

Sinais de que a escolha está correta (em até 7–14 dias)

  • Ele usa o arranhador logo que acorda ou depois de ter os cérebros no “zoomies”.
  • Você nota “sinais de uso” (fibras emaranhadas no sisal, papelão gasto) e pelos no redor — isso é ótimo.
  • Ele arranha o móvel com menos frequência, especialmente se o arranhador está posicionado exatamente onde ele gostaria de arranhar

4) Onde colocar o arranhador (o que realmente faz a diferença)

Colocar o arranhador no lugar certo não é uma questão de detalhe: é parte do “produto”. Um arranhador perfeito no lugar errado é apenas um enfeite. E, quase sempre, um “lugar certo” é mais óbvio do que parece: é onde o gato está e onde aquilo já arranha.

Os 5 melhores lugares (por prioridade)

  1. Em frente ou próximo do móvel que ele já arranha (sim, muito perto). Primeiro você muda o hábito; depois você pensa na estética.
  2. Próximo da área de dormir (cama, sofá predileto, caminha do gato). Muitos gatos arranham logo ao acordar, como um alongamento do corpo.
  3. Em áreas “proeminentes” e de passagem da casa (próximo da sala, corredor, entrada do quarto). O gato não costuma querer arranhar de forma “escondida”.
  4. Próximo aos locais de observação (janela, torre, prateleira). Arranhar e marcar território fazem sentido quando o lugar é importante para ele.
  5. Distribuído em zonas: no mínimo 1 ponto “sócio” (onde você fica) e 1 ponto “privado” (onde ele descansa).
Dica que evita frustração: não coloque o arranhador no “pior canto da casa” (lavanderia, nos fundos de porta, área que ninguém utiliza) e espere que o gato opte por aquilo e não pelo sofá da sala.

Quantos arranhadores são necessários por casa?

Como uma referência prática, pensei em “pontos de uso”, não em “número de gatos”: se a sua casa tiver dois andares, a probabilidade é alta de que você precise de arranhadores em ambos. Nas casas com mais de um gato, espalhar pontos de arranhar reduz competição e aumenta o acesso.

5) Como fazer o gato usar o arranhador (treinamento rápido e realista)

A intenção é simples: criar uma associação “arranhar aqui = sensação boa + recompensa + rotina”. Segue um plano de 7 dias que funciona bem na maioria dos casos leves e moderados.

  1. Dia 1 (setup): posicione o arranhador exatamente (ou o mais próximo possível) do local exato onde o gato arranha e/ou no local onde ele dorme. Se for horizontal e tiver o hábito de escorregar, resolva o antiderrapante agora.
  2. Dias 1–2 (atração): utilize catnip (se ele responder bem a isso) e realize brincadeiras curtas onde o arranhador esteja. Passe um brinquedo “subindo” pelo poste para incentivar o arranhador.
  3. Dias 2–4 (reforço): recompense ao perceber que ele arranhou (petisco pequeno, carinho ou brincadeira). Repetições rápidas têm importância maior do que recompensas grandes.
  4. Dias 3–7 (redirect): se ele subir no sofá interrompa com som suave (não grite) e conduza-o para o arranhador e recompense quando ele usar. Cuidado com a consistência, vale mais a pena do que a intensidade.
  5. Dias 5–7 (protetor de alvo): faça seu móvel atrativo, temporariamente, com fita dupla face, barreira física ou capa, até o arranhador virar hábito.
  6. Após 7 dias: depois que o arranhador estiver “integrado”, você pode mover alguns centímetros por dia para um local mais estético – se e somente se o uso continuar.
Não “forçar” as patas do gato no arranhador! Irá normalmente gerar rejeição e atrasar o processo. O melhor é atraí-lo (com brinquedo/catnip) e depois recompensá-lo.

6) Erros frequentes que fazem o arranhador virar decoração

  • Comprar um poste muito baixo: o gato tenta esticar, não alcança e volta para o sofá.
  • Aceitar instabilidade: se balança, escorrega ou cai, o gato desanima.
  • Colocar “onde não atrapalha” e não “onde o gato usa”: canto esquecido dificilmente vai vencer o móvel preferido.
  • Ter só um padrão: alguns gatos não gostam de arranhar vertical (ou horizontal). Sem opção, improvise no móvel.
  • Mudar a textura sem transição: trocar de sisal para carpete (ou de carpete para sisal) pode anular a preferência. Fazer a transição gradual ou oferecer ambas as texturas por um período.
  • Deixar o gato de castigo (gritar/bater): é injusto e normalmente aumenta o estresse e não resolve o comportamento quando você não está em casa.

7) Checklist final para compra (salve e leve para a loja)

  • Eu levaria 2 formato (vertical + horizontal)?
  • O poste proporciona que meu gato alongue todo o seu corpo?
  • A base é pesada e não balança quando eu empurrá-lo com a mão?
  • A textura tem boa “pegada” (sisal/papelão) e não fica presa facilmente?
  • O modelo horizontal possui um antiderrapante e permite boa fixação?
  • Tenho um plano de posicionamento (perto do sofá que ele arranha + perto de onde dorme)?
  • Tenho petiscos/brinquedo para reforçar o uso deles na primeira semana?
Importante: se o arranhar tornou-se repentino, intenso ou se apresenta com agressividade, ansiedade acentuada, lambedura excessiva, dor ao toque ou variações no uso da caixa de areia, vale a pena discutir com o médico-veterinário (e, se necessário, um profissional em comportamento). Este guia é informativo e não substitui uma avaliação individual.

Perguntas frequentes

Meu gato só arranha o sofá. Qual devo comprar primeiro?

Comece com um arranhador vertical alto e bem estável (de preferência, de sisal) e fixe colado no lugar do sofá onde ele costuma arranhar. Uma vez que tiver feito isto, deixe o local do sofá temporariamente menos atractivo (com fita dupla face, por exemplo) enquanto recompensa o uso do arranhador.

Papelão ou sisal, qual deles é melhor?

Depende do estilo do seu gato. O papelão normalmente aceita muito bem e é ótimo para arranhar no chão; já o sisal é excelente para postes verticais e para os que adoram se esticar. Se puder, tenha os dois no começo, porque isso reduz muito o risco de uma compra errada.

Onde colocar o arranhador para que ele use mais?

Nos dois lugares com mais eficácia: (1) exatamente onde ele já arranha e (2) próximo de onde ele dorme/descansa. E depois que isso levar ao hábito, poderá ir mudando aos poucos para um local mais cômodo.

Quantas arranhações eu preciso?

Pense por áreas: ao menos em uma área de arranhadura por espaço utilizado no ambiente, ex.: sala., e outra adjacente ao descanso. Se são vários andares, normalmente vale ter em cada andar. E em um lar com mais de um gato, mais de uma área serve para reduzir a disputa.

O meu gato não liga para o catnip. E agora?

Sem problema. Use brincadeira (varinha com penas, bolinha) para “passar” o brinquedo pelo arranhador e presenteie com petisco ou carinho quando usar. Muitos gatos respondem mais à brincadeira do que ao catnip.

Como eu sei se arranhação é alta o suficiente?

Observe o alongamento em cima do sofá. Quando o gato fica de pé e estende as patas dianteiras, o arranhador vertical precisaria permitir a mesma postura do gato sem o gato ficar “encolhido”. Se ele já bateu no topo rápido demais, provavelmente o arranhador é baixo.

Referências

  1. UC Davis School of Veterinary Medicine — Inappropriate Scratching in Cats
  2. San Francisco SPCA — Scratching Posts
  3. MSPCA-Angell — Teaching Your Cat to Use a Scratching Post
  4. Anti-Cruelty — Scratching Furniture
  5. Maddie’s Fund (conteúdo do San Francisco SPCA) — Scratching Posts
  6. Cats International — How To Build a Scratching Post

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